domingo, 30 de dezembro de 2012

Ano Novo...


Senhor, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar,
a coragem para mudar as coisas que não posso aceitar e a sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas que eu tive que matar por estarem me enchendo o saco.

Também, me ajude a ser cuidadoso com os calos em que piso hoje, pois
eles podem estar conectados aos sacos que terei que puxar amanhã.

Ajude-me, sempre, a dar 100% no meu trabalho...
- 12% na segunda-feira,
- 23% na terça-feira,
- 40% na quarta-feira,
- 20% na quinta-feira,
- 5% na sexta-feira.

E... Ajude-me sempre a lembrar,
quando estiver tendo um dia realmente ruim e todos parecerem estar me enchendo o saco, que são necessários 42 músculos para socar alguém e apenas 4 para estender meu dedo médio e mandá-lo para aquele lugar...

Que assim seja!!!

Viva todos os dias de sua vida como se fosse o último.
Um dia, você acerta.

Luís Fernando Veríssimo

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Quero...


QUERO
"Quero que todos os dias do ano todos os dias da vida de meia em meia hora de 5 em 5 minutos me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo,creio, no momento, que sou amado.No momento anterior e no seguinte,como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação pois ao não dizer: Eu te amo,desmentes apagas teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado.Não exijo senão isto,isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra nem sei de outra maneira a não ser esta de reconhecer o dom amoroso,a perfeita maneira de saber-se amado:amor na raiz da palavra e na sua emissão,amor saltando da língua nacional,amor feito som vibração espacial.
No momento em que não me dizes:Eu te amo,inexoravelmente sei que deixaste de amar-me,que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido Eu te amoamoamoamoamo,verdade fulminante que acabas de desentranhar,eu me precipito no caos,essa coleção de objetos de não-amor."

Carlos Drummond de Andrade 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

VERBO SER


VERBO SER

Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. 
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 16 de setembro de 2012

Morreu a velhinha


Morreu a velhinha


"The lacemaker”, de Johannes Vermeer.Daqui. 

Morreu 3 dias depois de chegar aos 100 anos.
Parece que estava só esperando o centenário.
Da vida não teve muitos segredos:
Nasceu, cresceu, casou, teve filhos,
Aprendeu a ler e escrever o básico.
Ela nunca ouviu falar de Alberto Caieiro,
Mas concordaria com o heterônimo:
Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.”

Ela não saía muito de casa:
Cresceu no mato, casou no mato,
Só depois virou urbana.
Na cidade, então pequena,
Era de casa para a venda;
Da venda para casa;
E aos domingos, missa.
Não viu muita coisa do mundo.
Não viu Getúlio Vargas,
Não viu a segunda guerra,
Já ouviu falar de Hitler,
Não conheceu Stálin, Mussolini,
Mas da bomba atômica ouviu falar
E acreditou em Deus Pai para a todos salvar. 
Não viu os hippies e nem o Vietnã;
Nunca soube quem eram os beats e os Beatles,
Rolling Stones e Jovem Guarda,
Mas gostava de algumas canções do Roberto Carlos;
Ouviu falar que o homem pisou na lua,
Mas nunca soube de Kennedy e Luther King.
Passou pela ditadura que nem se deu conta;
Viu que Tancredo Neves morreu,
E depois disso não sabe o que aconteceu;
Viu que um presidente jovem saiu,
E depois disso não sabe o que aconteceu,
Embora neste período tenha ficado mais pobre.
Ouviu falar que o mundo acabaria no ano 2000
E não viu o fim do mundo;
Viu uns edifícios arderem em chamas nos EUA,
Mas nunca soube direito o que aconteceu;
E nos últimos tempos assistia TV
Sem nada entender.

Mas ela viu muitas outras coisas.
Viu os filhos crescerem,
Os netos aparecerem,
A família prosperar.
Viu as plantas do jardim,
Ouviu o canto dos pássaros,
Agradeceu pela chuva,
Plantou na terra fértil,
Colheu o fruto de seu trabalho
E como viu que era bom, continuou.
Viu nascimentos e mortes,
Viu lamentos e felicidades,
Viu os animais de estimação,
Grandes alegrias.
Viu exames de saúde perfeita,
Poucas vezes no hospital esteve;
Viu milagres e falsidades,
Viu, sorriu, chorou, cozinhou, amou.
Sim, viu amores, sentiu amores.
E quase sem sair de casa,
Viu muita coisa a velhinha centenária.

E eu vi,
Ainda tão jovem
E sem precisar sair de casa:
A praça da Paz Celestial
A igreja da Candelária
De massacres e chacinas nada divinos;
O fim da União Soviética,
A queda do muro de Berlim,
A derrocada do comunismo,
A explosão do consumismo. 
A queda do mauricinho Fernando Collor;
A ascensão do intelectual Fernando Henrique;
A ascensão do operário Luís Inácio Lula;
Os holofotes na estagiária de Bill Clinton,
A liberdade de Nelson Mandela,
A morte de um Papa,
A escolha de um novo Papa,
A decodificação do genoma humano.
A seleção brasileira vencer Copas do Mundo;
O mapa-múndi diferente;
Golfo, Kosovo, Bósnia-Herzegovina, Chechênia, 
Saddam Hussein, Milosevic,George Bush, Bin Laden,
E o ataque às Torres Gêmeas.
A revolução da internet;
Tsunamis e terremotos devastadores;
Um negro no poder nos EUA;
A primeira mulher presidente do Brasil;
Um robô em Marte.

E
 sei que ainda vou ver muita coisa.
Muita coisa boa.
Muita coisa ruim.
Mas vi muito pouco.
Tomara que eu veja tanto
Quanto a simpática velhinha centenária
Viu durante sua vida.
E que possa partir igualmente de forma serena,
Com a tranquilidade de saber ter visto
O que era mais importante.  
O essencial é saber ver”.*

*“O guardador de rebanhos”, de Alberto Caieiro

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dia do amigo

"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade
que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite
que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem
intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido
todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os
meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o
quanto minha vida depende de suas existências ...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer
o quanto gosto deles.Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão
incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não
declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de
como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu
equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu,
tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto
pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida
ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma
lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da
vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando
comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e,
principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que
são meus amigos!


Vinícius de Moraes

terça-feira, 17 de julho de 2012

Estágio em Pedagogia/Psicologia

Escola de Educação Infantil contrata estagiários de Pedagogia/Psicologia para início imediato! 
Não necessita experiência anterior. 


Local de trabalho: Santo André/SP
Bolsa Auxílio: R$500,00 
Auxílio Transporte: R$130,00 


Interessados enviar currículo para: magistralescola@gmail.com